Fósseis são contrabandeados
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Fósseis são contrabandeados



A casa de leilões Sotheby´s negociou, em Paris, 11 lotes de fósseis brasileiros que, segundo o órgão do governo federal que autoriza as extrações, saíram de forma ilegal do País. O escritório regional do Departamento de Produção Mineral (DNPM), a quem cabe a fiscalização sobre a retirada e comercialização de fósseis do Cariri, recebeu com surpresa a informação.



A denúncia foi feita pelo jornal Folha de São Paulo, detalhando que, além de insetos, peixes e plantas, o conjunto tinha um valioso crânio completo do pterossauro brasileiro Ludodactylus sibbicki, o único conhecido com cristas e dentes.

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Todas as peças são da Chapada do Araripe, um complexo paleontológico reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O chefe do escritório do DNPM em Crato, Artur Andrade, afirma que um dos principais responsáveis pelo contrabando de fósseis na região é o alemão Michael Schwickert, que já foi processado pela Polícia Federal. Artur atribui a ele o carregamento de fósseis levado para Paris.


O chefe regional do escritório acrescentou que o assunto está sendo analisado pelo DNPM do Brasil, que enviou ofícios à Interpol (polícia internacional) e à embaixada da França pedindo esclarecimentos. "O DNPM quer achar uma maneira de repatriar as peças", complementou Artur.


O contrabando de fósseis no Cariri, segundo o chefe regional, é comum. Hoje, é feito de uma forma velada. Os contrabandistas estão exigindo mais qualidade do que quantidade. Ao fazer esta observação, o responsável pelo escritório do DNPM diz que a população carente, desempregada, ajuda os estrangeiros a cometer este crime contra este valioso patrimônio regional.


"Os extratores de fósseis preferem correr o risco de ser preso do que quebrar pedras para ganhar somente R$ 30,00 por dia", analisa Artur, advertindo que a fiscalização será intensificada com o apoio da Polícia Federal.


Ele adverte ainda que a venda de fósseis é proibida. No entanto, é fácil encontrar sites na Internet que vendem fósseis do Cariri, como algumas páginas da Alemanha e da Inglaterra. O Governo Federal tenta recuperar, mas os pesquisadores sempre têm uma desculpa.


O vendedor de fósseis conhecido como "Zé das Pedras" já foi preso mais de 20 vezes pela Polícia Federal. Ele mesmo diz que já se tornou "freguês" da Polícia. Depois de liberado, continua vendendo fósseis porque, segundo afirma, não tem outro meio de sobrevivência.


Os fósseis de pterossauros são os mais cobiçados. O cariri pré-histórico tinha, pelo menos, 18 espécies deles. Atualmente, o museu ainda não tem nenhum fóssil de pterossauro inteiro, afirma a pesquisadora Maria Helena Hessel, que coordenou primeiro curso de paleontologia.


A reportagem da Folha de São Paulo relata que a origem das peças brasileiras não consta no catálogo oficial do leilão e nem no site do evento.


O material se resume a propagandear a "beleza única" dos fósseis. Procurada pela reportagem da Folha, a responsável pela filial francesa da Sotheby´s não se manifestou sobre a origem do acervo.


A Sotheby´s no Brasil disse não ter informações específicas sobre as peças, mas afirmou que, provavelmente, elas fazem parte de alguma coleção muito antiga e, por isso, pode ser mais difícil identificar sua origem.


Para especialistas, afirmar que os fósseis foram encontrados antes da promulgação da lei é apenas uma desculpa para dar "aparência de legalidade" ao contrabando. "O pterossauro leiloado só foi descrito na década de 1970. Ninguém teria encontrado um fóssil inédito tão bem conservado e, simplesmente, ´guardado no armário´ para vender 70 anos depois", disse Felipe Monteiro, mestrando da Universidade Federal do Ceará (UFC), que participa de projetos no Araripe.


Segundo Alexander Kellner, especialista em pterossauros do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os fósseis foram encontrados na chamada formação Crato, que só começou a ser explorada muito depois da regulamentação. "Infelizmente, a saída de fósseis é um problema antigo. O Brasil perde verdadeiros tesouros. Agora, para estudar uma espécie nacional, os pesquisadores precisam ir para o exterior", afirmou.

Ele acredita que os contrabandistas têm "certeza da impunidade" no Brasil. "Falta fiscalização e, principalmente, faltam verbas para que os pesquisadores brasileiros desenterrem essas relíquias", comenta Kellner.


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